Cachoeiras

Nas águas represadas dos meus rios

morreram cachoeiras de poemas.

Os peixes já não brincam piracemas,

perderam-se nos veios mais sombrios. 

As margens dos salgueiros imponentes

o tempo desmatou, deixando estragos,

pastagens e erosões. Onde os meus lagos

formados pelas águas das enchentes?  

Restaram-me os espaços-passarinhos

de rabiscar palavras carpideiras

e um charco assoreado de aquarelas. 

Mistérios dessas noites de chorinhos,

limo no peito e a dor de cachoeiras.

Saudades de acordar pingando estrelas! 

   ©  Nathan de Castro

 
 
Bravenet.com